Inocência.

Antes ela ia, deixava-se levar, aliás! Que disparates foi ela cometer, já conhecedora do engano, ali presente. Era tudo inocente, ali e à volta. Nem quem a protegia soube descobrir a mais estúpida trafulhice, nem eles! Parecia um filme daqueles, em que as pessoas são massacradas até sei lá onde, por outras que querem vender um certo e determinado produto. Tudo muito desesperadamente. Horas a fio, a ouvir, histórias que conseguiam convencer sempre o consumidor, aquele que ganhava prémios, sem participar em nada. A falsidade rodopiava nas cabeças, sempre com destino a um “sim”. Contudo, por mais voltas que dêem, para não o fazer, os vendedores acabam sempre por disparatar. São descobertos. As verdades foram atiradas sem dó e depois as criaturas que prometiam fins felizes desapareceram, com vergonha. Por onde é que ela passou, durante tanto dias? Dizia sim, feliz, como se respondesse a uma oportunidade para a vida. Estava enganada, estavam todos enganados. Perdeu a conta, das vezes em que foi, sem saber, ao certo, o seu destino. Decerto era compensada, mas sempre com um ou mais objectivos da outra parte. Que jogo. Passou tempo, passaram histórias. A verdade passou-lhe à frente. Ela ignorou-a algures, acabando sempre por ceder. Entrou onde era perigoso, arriscou a sua vida, já lhe disseram e com razão. Um dia, fartou-se e disse: “chega”. Porque já bastava tanta falsidade e irrealidade. Porque tudo aquilo que ela viveu, foi falso, sem vida própria… mal amado, mal aproveitado, mal dito, mal fotografado, mal reservado. Sem dúvida, pode considerar tal período, o pior, que alguma vez pôde viver.
Ainda bem que agora, ela possui as suas próprias ideias, conjugadas por retóricas silenciosas, que não têm fim. Ainda bem.

3 comentários:

Mariana disse...

Que bonito :)

diogo disse...

gosto, gosto, gosto

Helena Moniz disse...

Até aqui xD

 
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